quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Património e Memória



Escolhi o Jardim Botânico de Lisboa como tema para este trabalho por ser património nacional no qual passei parte os tempos livres da minha infância, e também por ser um dos mais belos do país.

O Jardim Botânico de Lisboa foi inaugurado em 1878, tendo começado a ser plantado cinco anos antes.
Os professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo foram os mentores deste projecto que tinha como objectivo a criação de um jardim científico, espaço de ensino universitário e de investigação científica.
Na realidade, o espaço escolhido no Monte Olivete já tinha dois séculos de tradição no estudo da botânica, desenvolvido no Horto Botânico do colégio jesuíta da Cotovia. Como espaço de apoio ao ensino da botânica na Escola Politécnica, tornou-se num jardim com três áreas: a zona da Classe, das Monocotiledóneas e o Arboreto.
No patamar superior, situa-se a Classe onde se encontram as principais famílias das dicotiledóneas. Apesar de se ter perdido o seu traçado inicial, pensado pelo primeiro jardineiro mestre Edmund Goeze, é possível compreender-se como teria sido tendo em conta a zona das monocotiledóneas.
Já no patamar inferior, fileiras baixas de bustos envolvem os canteiros onde se plantam as espécies para estudo. Neste patamar também se desenvolve a zona do Arboreto em grandes canteiros com formas orgânicas rasgados por caminhos sinuosos e animados com lagos e cascatas ao gosto romântico.
Nesta zona plantaram-se todas as espécies que foram sendo recolhidas em expedições realizadas pelos jardineiros-mestres E. Goeze e Jules Daveau. Encontramos plantas dos mais diversos continentes e ilhas, destacando-se as cicadáceas, palmeiras e figueiras tropicais como verdadeiros ex-libris do jardim.
A professora Teresa Antunes, responsável pela manutenção desta colecção viva, sublinha que o facto de estas plantas crescerem ao ar livre e não em estufas (como acontece na maior parte dos jardins botânicos), demonstra o clima ameno de Lisboa. A topografia do local permitiu o desenvolvimento de verdadeiros microclimas, garantindo árvores bem adaptadas que frutificam continuamente.
A identificação, propagação e conservação das espécies são funções de qualquer jardim botânico. Daí a existência de um viveiro, banco de sementes e herbário, todos iniciados no século XIX. A base de dados do herbário pode ser consultada em www.brotero.politecnica.ul.pt.
Em breve será possível ter-se conhecimento das cerca de 1493 espécies do jardim (inventário em actualização). Enquanto espaço de aprendizagem desenvolvem-se múltiplas actividades direccionadas tanto ao público
pré-escolar como ao universitário. Enquanto espaço de lazer e cultural, o jardim tende a alargar a sua missão exibindo exposições temporárias que permitem uma directa ligação com a arte.
O Jardim Botânico da Faculdade de Ciências de Lisboa foi muito importante para mim na medida em que ali passei grande parte da minha infância. Foi ali que brinquei, passeei, estudei para testes, exames e onde encontrei a minha primeira paixão, enquanto adolescente, por uma rapariga.
Foi neste deslumbrante, belo e romântico jardim, com grandes alamedas que passavam por entre as canas-de-açúcar e as árvores exóticas, com vários lagos e cascatas que serviam para regar os arbustos e com os pássaros a chilrear, que eu dei grandes passeios com a minha primeira namorada. Grandes tardes de verão eu passei, embrenhado nos recantos coloridos de uma beleza estonteante, que contracenavam com a deslumbrante jovem, e me ofuscavam a vista. Tardes que nunca mais esquecerei.

Trata-se de património que representa um valor cultural de elevado significado para o País e que deve ser objecto de especial protecção, preservação e valorização, no quadro da obrigação do Estado de proteger e valorizar o património cultural, natural, imaterial e material, de um povo.


Fontes de Pesquisa: Aqui